Editado por Harlequin Ibérica.
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© 2016 Michelle Smart
© 2021 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
No ardor, n.º 117 - outubro 2021
Título original: Helios Crowns His Mistress
Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.
Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
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Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos estão reservados.
I.S.B.N.: 978-84-1375-528-1
Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.
– Queres mesmo barbear-te?
Amy Green, que estava a admirar o rabo de Helios, perguntou-o num tom lisonjeador. Olhou para ela nos olhos através do espelho da casa de banho e piscou-lhe um olho.
– Voltará a crescer.
Ela fez beicinho com muito cuidado, porque a máscara de argila que pusera já secara e custava-lhe expressar-se sem que gretasse. Faltavam dez minutos para que pudesse tirá-la.
– Mas ficas muito sensual com barba…
– Estás a dizer que não sou sensual sem barba?
– És sempre sensual… – sussurrou ela.
Demasiado sensual, mesmo sem barba. Até a sua voz era sensual, uma voz grave e profunda com um sotaque de Agon que a enriquecia ainda mais.
Além disso, era incrivelmente alto, incrivelmente musculado e incrivelmente forte, tinha a pele morena e o cabelo cor de azeviche despenteado depois de ter passado uma hora com ela. Helios parecia um pirata e essa aparência perigosa exagerava-se mais por causa do nariz e da pequena cicatriz que tinha na cana, uma lembrança de uma luta com o seu irmão Theseus quando eram adolescentes. Helios, sem a mínima vaidade, usava essa cicatriz com orgulho. Era o homem mais sensual que alguma vez conhecera.
Em breve, pentear-se-ia para que o cabelo ficasse tão arranjado como o resto da cara, mas continuaria a irradiar essa virilidade inata. O seu corpo curtido ficaria coberto por um smoking, mas a sua força e vitalidade atravessariam o tecido. A expressão maliciosa dos seus olhos castanhos continuaria a ser igualmente tentadora.
Transformar-se-ia no príncipe Helios Kalliakis, herdeiro do trono de Agon, mas continuaria a ser um homem de carne e osso.
– Tens a certeza de que não queres fazê-lo? – perguntou ele, pegando na lâmina.
– Imaginas o que aconteceria se te cortasse? – Amy abanou a cabeça. – Seria detida por traição.
Ele sorriu e passou uma mão pelo espelho para limpar a condensação do vapor.
Amy sorriu, esticou a perna direita até às torneiras e verteu mais água quente com os dedos do pé.
– Tenho a certeza de que encher a casa de banho de vapor para que não consiga ver bem também é traição – comentou, num tom brincalhão, enquanto ligava o extrator.
Ligou-se imediatamente, como tudo nesse apartamento fabuloso do palácio, e eliminou o vapor da casa de banho.
Baixou-se ao lado da banheira, com a cara à frente da dela.
– Se continuares a cometer traição, terei de te castigar.
– E como terias de me castigar…?
O desejo, que achava satisfeito, voltou a bulir por dentro e fê-la ofegar.
Ele semicerrou os olhos e esboçou um sorriso com esses lábios que a tinham beijado por todos os lados. Era uma boca que qualquer mulher adoraria beijar a todas as horas.
– Um castigo que nunca esquecerás.
Helios cerrou os dentes e resmungou enquanto a observava com um brilho ardente nos olhos e se virava para o espelho, sem parar de olhar para o reflexo dela pelo canto do olho.
Amy teve de reconhecer que a fascinava observá-lo. Barbeava-se como se fosse um comandante medieval num filme. No entanto, também a assustava. A lâmina de barbear era muito afiada, um movimento errado e…
Em qualquer caso, não conseguia desviar o olhar dele enquanto passava a lâmina pela face. Tinha um erotismo que a transportava para outros tempos, quando os homens eram homens a sério… E Helios era assim dos pés à cabeça.
Se quisesse, poderia ter estalado os dedos e um batalhão de empregados teria aparecido para o barbear, mas esse não era o seu estilo. A família Kalliakis era descendente direta de Ares Patakis, o guerreiro que libertara Agon dos invasores venezianos há mais de oitocentos anos. Os príncipes de Agon aprendiam a usar armas com o mesmo esmero com que aprendiam o protocolo real. Para o seu amante, uma lâmina de barbear era mais uma das muitas armas que dominava. Esperou que se limpasse com uma toalha para voltar a falar.
– Tenho de interpretar que não me reservaste um pouco de tempo esta noite, apesar das minhas pequenas indiretas?
As pequenas indiretas tinham sido dizer-lhe que adoraria ir ao baile real de que toda a ilha falava, mas a verdade era que não esperara receber um convite. Era apenas uma empregada do museu do palácio e temporária.
Além disso, também não iam estar juntos para sempre, pensou, com uma pontada de melancolia. A sua relação não fora um segredo, mas também não tinham falado dela. Era a sua amante, não a sua namorada, e soubera-o desde o começo. Não tinha uma relação oficial com ele e nunca teria.
– Embora adore estar contigo, não seria apropriado.
– Eu sei. Sou uma plebeia e os assistentes ao baile são a flor e nata da alta sociedade.
– Adoraria ver-te lá com o vestido mais bonito que pudesses comprar, mas não estaria bem se a minha amante estivesse no baile onde tenho de escolher uma esposa.
O banho quente e relaxante arrefeceu numa questão de segundos e sentou-se.
– Escolher uma esposa? Do que estás a falar?
– O verdadeiro motivo do baile é para que possa escolher uma esposa.
– Como a Cinderela? – perguntou ela, depois de uma pausa.
– Exatamente. – Helios barbeou o queixo e voltou a limpar a lâmina numa toalha. – Já sabes tudo isto…
– Não – negou ela. – Achava que o baile era mais um evento prévio ao baile de gala.
Faltavam três semanas para que todos os olhares se dirigissem para Agon. A ilha celebrava o aniversário dos cinquenta anos do reinado do rei Astraeus e chefes de estado e mandatários de todo o mundo viriam ao baile.
– E é, acho que se diz «matar dois coelhos de uma cajadada».
– Porque não podes encontrar uma esposa de uma forma normal?
– Porque sou o herdeiro ao trono e tenho de me casar com alguém de sangue real, já sabes.
Efetivamente, sabia, mas pensara que seria noutro momento. Não lhe passara pela cabeça quando ia para a cama com ele todas as noites.
– Tenho de escolher acertadamente – continuou ele. – Naturalmente, tenho uma lista de favoritas, de princesas e duquesas que conheci ao longo dos anos e que me chamaram a atenção.
– Naturalmente… – repetiu ela. – Há alguma que encabece a lista ou há várias que disputam o lugar?
– A princesa Catalina de Monte Cleure está no topo da lista. Conheço a família há anos, veem ao nosso baile de Natal desde que a Catalina era um bebé. A irmã e o cunhado conheceram-se no último. – Helios sorriu ao lembrar-se do escândalo. – A Catalina e eu saímos para jantar algumas vezes quando estive na Dinamarca na semana passada. Tem todos os requisitos para ser uma rainha magnífica.
Amy imaginou uma imagem dessa princesa com o cabelo preto como o azeviche, uma beleza muito seguida pela imprensa por causa do seu encanto régio e etéreo… e sentiu náuseas.
– Não tinhas dito nada…
– Não há nada para dizer.
– Foste para a cama com ela?
– Que pergunta é essa? – perguntou ele.
– Uma pergunta normal de uma mulher ao seu amante.
Não pensara que poderia ter-se enganado. Helios não lhe prometera fidelidade, mas também não fora preciso. O desejo fora devorador desde a primeira noite que tinham passado juntos.
– A princesa é virgem e continuará a ser até se casar, seja comigo ou com outro homem. Responde à tua pergunta?
Não, só dava azo a uma infinidade de perguntas que não tinha o direito de fazer e que preferia que ele não respondesse. Só pôde fazer uma pergunta.
– Quando achas que te casarás com essa mulher tão sortuda?
– Será um casamento de estado, mas espero estar casado dentro de alguns meses.
Alguns meses? Tencionava encontrar esposa e organizar um casamento de estado em alguns meses? Isso tinha de ser impossível…
No entanto, era Helios e, se havia uma coisa que sabia sobre o amante, era que não ficava de braços cruzados. Se quisesse fazer alguma coisa, queria que se fizesse hoje, não amanhã.
Mesmo assim, alguns meses…
Ela estava contratada até setembro, até dentro de cinco meses, e imaginara… Esperara…
Pensou no rei Astraeus, o avô de Helios. Nunca estivera com o rei, mas tinha a sensação de o conhecer graças ao seu trabalho no museu do palácio. O rei estava a morrer e Helios tinha de se casar para ter um herdeiro e garantir a continuidade da linhagem.
Sabia tudo isso, mas passara todas as noites com ele e albergara a esperança de que não se casasse até ela acabar a sua estadia em Agon.
Agarrou-se à banheira, levantou-se com cuidado e saiu. Agarrou numa toalha com as mãos trémulas e levou-a ao peito, nem sequer se embrulhou nela.
Helios esticou o lábio superior e barbeou-o com cuidado e destreza.
– Ligo-te quando o baile acabar.
Dirigiu-se para a porta sem se importar de deixar um carreiro de água pelo caminho.
– Não, não o farás.
– Para onde vais? Estás encharcada.
Pelo canto do olho, viu que ele dava umas palmadinhas na cara com a toalha e que a seguia para o quarto sem se incomodar em tapar-se.
Amy pegou na roupa e agarrou-a com força. Tinha um zumbido na cabeça que a impedia de pensar com coerência.
Dormira com ele durante três meses. Durante todo esse tempo, só tinham dormido separados uma dúzia de vezes, quando ele estivera fora por motivos oficiais. Como quando fora à Dinamarca e jantara com a princesa Catalina sem que ela soubesse. Além disso, naquele momento, ia celebrar um baile para encontrar a mulher com quem dormiria para o resto da sua vida.
Soubera desde o começo que não tinham futuro e mantivera o coração e os sentimentos à margem, mas ouvi-lo a falar com essa indiferença sobre o assunto…
Ficou junto da porta da passagem secreta que ligava os seus apartamentos. Havia dúzias e dúzias de passagens como aquela por todo o palácio, um palácio construído para as intrigas e os segredos.
– Vou para o meu apartamento. Diverte-te esta noite.
– Perdi alguma coisa?
O facto de Helios o perguntar com o que parecia uma perplexidade sincera só piorou as coisas.
На этой странице вы можете прочитать онлайн книгу «No ardor», автора Мишель Смарт. Данная книга относится к жанрам: «Эротические романы», «Короткие любовные романы».. Книга «No ardor» была издана в 2021 году. Приятного чтения!
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