Editado por Harlequin Ibérica.
Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
Núñez de Balboa, 56
28001 Madrid
© 2019 Sharon Kendrick
© 2021 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
O herdeiro oculto do xeque, n.º 1864 - julho 2021
Título original: The Sheikh’s Secret Baby
Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.
Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
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I.S.B.N.: 978-84-1375-515-1
Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.
Aquele era o último lugar em que a teria imaginado a viver.
Zuhal franziu o sobrolho. Jasmine? Ali? Numa casa minúscula no meio do campo inglês a que se chegava por um caminho tão estreito que a sua limusina enorme quase não coubera? Jasmine sempre adorara o bulício da cidade, não era possível que estivesse a viver num lugar tão isolado. Tinha de haver um erro.
Então, sorriu. Nunca se questionara onde viveria. Sempre que pensara na sua ex-amante exuberante, coisa que tentava evitar, recordava indevidamente a sua pele suave. Ou a tentação dos seus seios. Ou o modo como banhara o rosto dela de beijos até fazer com que o coração acelerasse.
Engoliu em seco.
E aquele, é claro, era o motivo da sua visita inesperada. O motivo por que decidira fazer-lhe uma surpresa.
Sentiu a garganta seca. Porque não? Gostava de sexo, tal como Jasmine. De todas as suas amantes, fora a que mais o excitara. Entre eles, tinham saltado faíscas desde o começo e era uma pena não desfrutar daquela química incrível. Qual era o problema de ser nostálgico? Ao fim e ao cabo, nenhum dos dois tivera outras expectativas. Não havia sonhos para destruir. Não tinham pedido nada e tinham os limites claros. Comportaram-se como adultos. Porque não viajar ao passado e desfrutar daquela felicidade sem complicações num momento da sua vida em que precisava de desligar um pouco?
Ficou sério ao interrogar-se se era sensato voltar ao passado e a uma mulher como aquela. Porque ele nunca olhava para trás. Além disso, quando as pessoas recomeçavam uma velha relação, era possível que a mulher lhe desse mais importância do que realmente tinha… e, para Zuhal al Haidar, todas as relações se limitavam ao sexo.
E, dado que Jazz era suficientemente realista para o aceitar, talvez pudesse quebrar as suas próprias regras por uma vez, porque o destino estava a levá-lo por um caminho que não desejava, um caminho que alterara todo o seu futuro. Praguejou e chorou em silêncio por causa do seu irmão insensato, sabendo que era impossível voltar ou reescrever as páginas de uma história que mudara o seu próprio destino. Preferiu não pensar mais naquilo e concentrar-se em Jasmine Jones e no seu corpo doce. Ela faria com que esquecesse tudo, exceto o desejo e a satisfação. Estava a excitar-se só de pensar nisso, pois Jasmine fora a amante mais doce que tivera.
Pisou um ladrilho gretado por onde saía uma planta de aspeto saudável. Passara-lhe pela cabeça que Jasmine podia tê-lo substituído por outro homem nos dezoito meses que tinham passado sem se ver, ainda que, no fundo, Zuhal se recusasse a pensar naquele cenário porque o seu ego não o permitia.
Mas e se fosse assim?
Naquele caso, retirar-se-ia elegantemente. Ao fim e ao cabo, era um rei do deserto, não um selvagem, ainda que Jazz tivesse sido capaz de descobrir o seu lado mais primitivo. Desejar-lhe-ia boa sorte e ir-se-ia embora dali, sem dúvida, dececionado por não poder voltar a desfrutar das suas curvas encantadoras e dos seus lábios deliciosos.
Empurrou o portão pequeno, que precisava de ser pintado, e avançou pelo caminho. Ao chegar à porta, levou a mão à aldraba, a que faltava um parafuso, e franziu o sobrolho. Pensou que teria de procurar alguém para que arranjasse tudo aquilo.
Noutro momento.
Depois de encontrar o consolo de que tanto precisava.
Bateu à porta e sentiu que o som ecoava na casa pequena.
Jasmine fez parar o zumbido da máquina de costura, levantou a cabeça ao ouvir que batiam à porta e pestanejou. Doíam-lhe os olhos porque estivera a costurar até muito tarde na noite anterior. Esfregou-os com o dorso da mão e bocejou. Quem a incomodava precisamente quando estava tão calma e tinha um instante para trabalhar? Por um momento, sentiu-se tentada a não fazer caso e a ficar ali, a costurar as cortinas de veludo que tinha de entregar a uma cliente muito exigente na quarta-feira, o mais tardar.
No entanto, levantou-se e afastou-se do canto da sala em que instalara a sua zona de trabalho para ver quem batia à porta. O facto de ter decidido mudar de vida e sair da cidade não significava que quisesse começar a viver como uma ermitã. Especialmente, tendo em conta como todos tinham sido amáveis com ela desde que chegara à vila tranquila, um fator que amortecera o golpe da mudança repentina e de circunstâncias dramáticas. Era provável que se tratasse de alguém que queria vender-lhe rifas para a feira da primavera.
Abriu a porta.
Não, não era alguém a vender alguma coisa.
A sua surpresa não podia ter sido maior. Sentiu os efeitos físicos que, certamente, se pareciam muito com o desejo. O coração acelerara e corou. Tremeram-lhe os joelhos e teve de se agarrar à maçaneta.
Aquilo não podia ser verdade.
Com o coração ainda a acelerar com rapidez, olhou fixamente para o homem que tinha à sua frente como se fosse desaparecer de repente, perdido numa nuvem de fumo, se desviasse o olhar. Porém, ele continuou onde estava, como se fosse de mármore. Jasmine desejou ser imune a ele, mas soube que aquilo não seria possível, visto que, só de o ver, o coração se apertava e todo o corpo tremia.
As feições do seu rosto eram angulosas e aristocráticas, tinha o cabelo preto como o carvão e os olhos brilhantes e quase igualmente escuros, o nariz aquilino e os lábios mais sensuais que alguma vez vira. Usava um fato citadino e moderno que contradizia a sua identidade, uma camisa branca e uma gravata de seda. No entanto, Jasmine vira-o em fotografias vestido com túnicas amplas, com que parecia acabado de sair de uma história de As mil e uma noites. Túnicas de cor clara que tinham enfatizado a sua pele morena e o seu corpo forte, habituado a montar a cavalo pelo deserto.
Zuhal al Haidar, xeque e príncipe real. O segundo filho de uma antiga dinastia que reinava no país de Razrastán, rico em petróleo e em cujas montanhas se criavam puros-sangues e se extraíam diamantes. O homem a quem se entregara de corpo e alma, apesar de ele só querer o seu corpo, uma decisão que ela fingira aceitar. A alternativa teria sido rejeitá-lo e Jasmine sentira-se incapaz de o fazer. Desde que se tinham separado, não passara um só dia sem pensar nele, embora tivesse imaginado que nunca mais voltaria a vê-lo, porque a tirara da sua vida para sempre.
E era isso que tinha de recordar. Que Zuhal a desprezara como um jornal velho.
Jasmine mordeu o lábio inferior e questionou-se o que fazia ali.
Mas… o que era mais importante…
Não podia permitir que ficasse muito tempo.
Não era tola. Ou, pelo menos, não era tão ingénua como quando estivera com ele. Amadurecera desde que tinham acabado. Tivera de amadurecer. Aprendera que, às vezes, era preciso parar para pensar no que era melhor fazer a longo prazo e não fazer o que realmente queria. Portanto, resistiu ao impulso de lhe fechar a porta na cara e obrigou-se a sorrir com amabilidade.
– Meu Deus, Zuhal – disse, num tom estranhamente calmo. – Que… surpresa.
Ele franziu o sobrolho, incomodado com a situação. Não eram as boas-vindas que esperara. Como era possível que ainda não se tivesse precipitado para os seus braços? Mesmo que Jazz tivesse decidido brincar um pouco com ele, não entendia porque o seu olhar nem sequer se toldara de desejo ou porque os seus lábios rosados não se tinham afastado a modo de convite inconsciente.
Não, em vez de desejo, havia cautela nela e algo mais. Algo que Zuhal não conseguiu reconhecer, como também não reconhecia a mulher que tinha à sua frente. Recordava-a vestida como uma rainha, sempre bela, apesar de fazer a sua própria roupa porque não tinha muito dinheiro. Tinha muito estilo. Fora um dos motivos por que se sentira atraído por ela e por que, certamente, o Hotel Granchester a contratara como supervisora da sua loja de Londres.
Recordou o seu cabelo cor de mel a flutuar à altura do queixo. Naquele momento, apanhara-o numa trança prática que caía sobre uma camisola vulgar com uma mancha estranha no ombro. Também não tinha as pernas a descoberto, mas tapadas por umas calças de ganga feias, uma roupa que nunca usara na sua companhia, já que Zuhal lhe dissera que não gostava.
No entanto, pensou que a roupa não importava porque não queria que a usasse durante muito mais tempo. Nada importava, exceto o desejo que continuava a sentir por ela.
– Olá, Jazz – cumprimentou, num tom baixo e íntimo, um tom que usara no passado, o tom que as pessoas que tinham sido amantes usavam.
Porém, a expressão dela continuou a ser de receio. Não sorriu nem lhe abriu mais a porta para o aceitar na sua casa e nos seus braços. Não mostrou interesse, apesar de ter passado quase dois anos sem o ver. Em vez disso, assentiu e Zuhal voltou a ver, nos seus olhos, uma expressão que não conseguia reconhecer.
– Como me encontraste?
Ele arqueou as sobrancelhas. Não estava habituado a ser tratado de uma forma tão brusca e a pergunta pareceu-lhe quase insolente. Ia tratá-lo como se fosse um vendedor ambulante? Parecia-lhe aceitável deixar o futuro rei de Razrastán à espera à porta?
Quando voltou a falar, fê-lo em forma de reprimenda, usando um tom que fizera muitos homens adultos tremer.
– Não achas que devíamos ter esta conversa no calor do teu lar, Jazz? – reprovou ele. – Embora não pareça que seja um lugar muito acolhedor.
Ela recuou, mas recuperou depressa. Esboçou um sorriso, um sorriso forçado. Ele sentiu-se confuso. A sua relação não acabara mal, embora Jazz tivesse rejeitado o seu presente de despedida. Zuhal tinha o costume de oferecer uma joia às suas amantes quando acabava com elas, como lembrança, mas, para sua surpresa e aborrecimento também, Jasmine devolvera o colar de esmeraldas e diamantes com um bilhete em que dizia que não podia aceitar um presente tão generoso.
Zuhal fixou o olhar na tinta gasta da porta, cerrou os dentes e pensou que Jasmine bem que precisava de algum dinheiro.
– Receio que não possas entrar – redarguiu ela. – Lamento, Zuhal, mas… não chegas num bom momento. Devias ter-me avisado.
Entendeu o que se passava. É claro. Parecera-lhe que Jasmine aceitava o fim da relação com dignidade e uma ausência admirável de chantagem emocional. Não derramara nenhuma lágrima, pelo menos, na sua presença. No entanto, não era feita de pedra. Era a mulher mais sensual que conhecera e, entre os seus braços, descobrira o prazer da carne. Portanto, o normal era que não tivesse voltado à vida celibatária depois de o conhecer.
Embora lhe custasse acreditar, era possível que o tivesse substituído na cama por alguém mais adequado do que ele? Alguém da sua classe social, talvez disposto a casar-se com ela. Talvez tivesse razão, talvez devesse ter-lhe ligado antes de aparecer ali para que tivesse tempo para se preparar e pôr-se bonita. Contudo, desde quando é que Zuhal al Haidar tinha de ligar para avisar da sua chegada?
Tentou parecer razoável, apesar de sentir ciúmes e de ter um nó no estômago.
– Há outro homem na tua vida, Jazz? – perguntou, tentando falar pausadamente.
Aquilo pareceu surpreendê-la ainda mais.
– É claro que não!
Zuhal expirou o ar que, sem se aperceber, estivera a suster. Os ciúmes transformaram-se rapidamente numa sensação de triunfo e antecipação.
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