Читать книгу «O plano do xeque» онлайн полностью📖 — Lynne Graham — MyBook.


Editado por Harlequin Ibérica.

Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Núñez de Balboa, 56

28001 Madrid

© 2020 Lynne Graham

© 2022 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

O plano do xeque, n.º 1887 - abril 2022

Título original: Cinderella’s Royal Secret

Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.

Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.

Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.

® Harlequin, Sabrina e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.

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As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.

Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.

Todos os direitos estão reservados.

I.S.B.N.: 978-84-1105-810-0

Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.

Sumário

Créditos

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Epílogo

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Capítulo 1

Rafiq Al Rahman, príncipe herdeiro de Zenara, entrou nos aposentos privados do tio com um sorriso. Mesmo ao inclinar a cabeça naquela reverência respeitosa, era mais alto do que o seu antecessor, que se levantou, ignorando o protocolo, para cumprimentar o sobrinho.

– Rafiq – disse o regente, recebendo-o calorosamente.

– Senta-te antes que os guardas fiquem nervosos – urgiu Rafiq, incomodado.

– Foste o meu rei desde que tinhas doze anos e sempre serás – replicou Jalil. – Em pouco mais de um ano e meio, ocuparás o lugar que te corresponde e eu deixarei a regência.

Aquela lembrança era desnecessária para Rafiq que, com vinte e oito anos, enfrentava as restrições impostas pelo conselho executivo do governo quando o príncipe Jalil fora encarregado de ocupar a regência e criar o sobrinho órfão até se tornar maior de idade. Embora tivesse decidido que, com trinta anos, subiria ao trono dos seus antepassados, há muito tempo que Rafiq estava pronto para aceitar o desafio. Mesmo assim, a responsabilidade afetava-o. O tio fora um governante excelente e um tutor magnífico, um homem imensamente mais qualificado para ocupar o trono do que Azhar, o falecido pai de Rafiq. A sua conduta libertina e as suas práticas corruptas tinham feito com que a monarquia caísse em descrédito.

Não havia nenhuma dúvida de que o passado dos seus pais era a razão por que Rafiq e o irmão mais novo, Zayn, tinham suportado uma educação rígida, tradicional e antiquada em que cada movimento estivera cheio de proibições. Todos receavam que Rafiq ou Zayn mostrassem o mesmo comportamento que o pai, uma possibilidade que Rafiq considerava remota. Ao fim e ao cabo, estava convencido de que o pai cometera os seus piores excessos sob a influência das drogas.

– Disseste que querias ver-me – recordou Rafiq ao idoso. – O que se passou?

Estava contente por ter voltado àquela ala do palácio e poder desfrutar de um pouco de tranquilidade, antes de apresentar um relatório oficial sobre os investimentos financeiros de Zenara ao conselho executivo.

Jalil respirou fundo e atravessou a divisão até parar por baixo do arco que dava para a varanda. Uma baforada de ar soprou, refrescando o calor do meio-dia.

– Quero que fales com o teu irmão sobre o casamento dele. Está a demonstrar ser muito… teimoso.

Ao ouvir aquilo, Rafiq ficou rígido e empalideceu.

– Sabes a minha opinião. O Zayn tem dezassete anos, é demasiado jovem.

O regente suspirou.

– Suponho que isso me deixe muito claro o que pensas por teres tido de te casar com dezasseis anos.

– Não tencionava ser desrespeitoso – apressou-se a dizer Rafiq, antes de um sentimento de culpa se apoderar dele.

Mesmo assim, como poderia suportar que fosse o seu irmão mais novo a pagar o preço por ele se recusar a voltar a casar-se? A sua esposa, Fadith, morrera há apenas dois anos e, numa questão de semanas, o conselho pedira a Rafiq que considerasse casar-se pela segunda vez. Infelizmente, não tinham tido filhos e os médicos, que não tinham encontrado nada em nenhum deles, tinham recorrido à expressão genérica de «infertilidade por causas desconhecidas». Rafiq não estava pronto para celebrar uma segunda união e voltar a passar por um processo tão doloroso. Não se sentia com espírito de se desculpar por querer continuar a desfrutar da liberdade que, durante tanto tempo, lhe fora negada.

Claro que também não era a desculpa que o tio queria ouvir. Jalil casara-se jovem e continuava a ser muito feliz no seu casamento e, tal como o conselho, estava convencido de que a liberdade sexual levara à perdição do falecido Azhar e aos seus escândalos múltiplos. Divertira-se com o pessoal feminino e com as esposas dos seus oficiais e amigos. Nenhuma mulher atraente estivera a salvo perto dele. Ao contrário do pai, Rafiq não era viciado no sexo nem um drogado em busca de uma dose.

– O Zayn tem de se casar – sentenciou Jalil, com gravidade. – Tem de te dar um herdeiro.

– Nesse caso, estou disposto a voltar a casar-me – replicou Rafiq, aceitando que não tinha outra opção.

Suportara a pressão a favor de voltar a casar-se durante todo o tempo que conseguira para evitar que o irmão se visse obrigado a formalizar uma união e aceitar uma responsabilidade para a qual era demasiado jovem. Embora presumisse que, de um novo casamento, não nasceria o herdeiro tão desejado, pelo menos, ganharia tempo para que o irmão continuasse a desfrutar da sua liberdade.

– Voltarei a casar-me – repetiu. – Mas só com a condição de que o meu irmão não tenha de se casar até dentro de uns anos.

– O conselho e eu não queremos que te sintas obrigado a casar-te contra a tua própria vontade! – protestou o idoso, consternado.

– Não me sinto obrigado – mentiu Rafiq, decidido a fazer o que fosse preciso para proteger o irmão mais novo e para que não se visse forçado a amadurecer tão depressa. – Ao fim e ao cabo, casar-me é a minha obrigação. Um rei tem de ter a sua rainha.

– Se tiveres a certeza… – murmurou o regente. – O conselho receberá a notícia da tua mudança de opinião de bom grado e quem sabe? Talvez se conceba um filho num segundo casamento.

– Não tenhamos ilusões. O mais realista é supor que não haja filhos. Seja quem for a candidata, tem de saber desde o começo.

– Há alguma mulher por quem tenhas preferência? – perguntou o tio, esperançado.

– Infelizmente, não, mas, quando voltar da minha viagem, ouvirei sugestões – murmurou Rafiq e esboçou um sorriso forçado. – Não acho que seja um bom partido para nenhuma mulher.

– Um futuro rei multimilionário que as redes sociais consideram o príncipe mais atraente do Médio Oriente? – perguntou o idoso, exaltado. – Há muita insolência nas redes sociais!

– Não podemos fazer nada para conter esses comentários estúpidos – replicou Rafiq e encolheu os ombros.

Durante muito tempo, nem ele nem o irmão tinham tido acesso a essas plataformas de opinião pública, pois tinham sido separados dos jovens da sua geração em muitos aspetos. Além disso, aquele físico de estrela de cinema que herdara da mãe falecida, uma dama atraente da alta sociedade italiana, só o fazia passar vergonhas.

Graças à sua força de vontade, Rafiq conseguira um diploma em Gestão e Finanças, contra a opinião do conselho executivo que não via nenhum benefício em que o seu monarca tivesse uma formação universitária. Apesar das restrições duras que tinham regido a sua vida, Rafiq tivera uma educação relativamente normal, embora nada na sua vida pudesse considerar-se normal. Estava sempre rodeado de guarda-costas e estava condenado a viajar com um cozinheiro e um provador de comida, visto que o pai morrera envenenado.

Rafiq pensava que essa tragédia não tinha nada a ver com um crime de rebelião e parecia obra de um marido furioso ou de uma mulher vingativa. Até podia ser consequência de algum acordo injusto imposto em alguma das muitas disputas entre tribos em que o pai interviera a favor dos seus compinchas ou em que tivesse exigido um suborno. Era lógico imaginar que o falecido pai tivera muitos inimigos. Apesar das investigações, ninguém encontrara explicação para o assassinato do seu pai. Muitos tinham suspeitado que havia motivos escandalosos para explicar a morte do pai, mas não se tinham encontrado provas suficientes para culpar alguém. Infelizmente, a sua morte fora um alívio para o conselho e não um motivo de tristeza.

Ao contrário do pai, Rafiq, para além de honesto e honrado, também era muito competente como diplomata. Essa qualidade não lhe servira para nada como marido, portanto, não se entusiasmava com a ideia de voltar a casar-se. Não tinha nenhum interesse em procurar outra esposa e menos ainda em sentir-se novamente preso. Odiara estar casado e sabia que aquela era uma reação visceral ao que tivera de suportar. Também não gostava que o venerassem como um ídolo e não queria ver-se condenado pela segunda vez a estar com uma mulher que desejava mais um filho do que estar com ele. Mesmo assim, fora fiel durante o seu casamento.

Só depois de a esposa falecer é que conhecera outro tipo de experiências sexuais, encontros esporádicos que podiam ser divertidos e até excitantes, em que cada um seguia o seu caminho sem olhar para trás. Não havia compromissos, remorsos ou sequer uma troca de números de telefone. Era o que mais gostava, ainda que, dado o vício do pai pelo sexo, se esforçasse para controlar o seu impulso sexual e raramente se deixasse levar pelas suas necessidades físicas. Quando se casasse outra vez, nunca mais voltaria a desfrutar daquele prazer sexual despreocupado. Da próxima vez que viajasse para o Reino Unido, procuraria uma mulher com quem passar horas na cama. Seria o seu último pecado, pensou, enquanto se despedia do tio, antes de a sua vida e privacidade lhe serem novamente arrebatadas.

Izzy deixou escapar uma exclamação ao ver as horas. Estava atrasada, muito atrasada. Se a empresa de limpezas para a qual trabalhava descobrisse que falhara a um dos seus clientes habituais, despedi-la-iam sem pensar duas vezes. Não podia permitir-se, tendo em conta que ainda tinha de pagar vários milhares de libras do seu crédito de estudante e que os seus pais não podiam ajudá-la economicamente.

A verdade era que a irmã gémea, Maya, era a única que lhe dava uma ajuda. Não tivera de limpar para ganhar dinheiro. Maya era um cérebro no campo da matemática. A sua inteligência era fora de série e começara a universidade com dezasseis anos. Maya ganhara bolsas e conseguira várias distinções durante os seus estudos. Cada vez que quisera ganhar um dinheiro extra, sempre encontrara algum projeto especial em que participar para fazer malabarismos com os números e desenvolver a sua magia. Infelizmente, Izzy não possuía nenhuma daquelas vantagens e tivera de recorrer a trabalhos mal pagos para ajudar a família a manter-se à tona.

Mesmo assim, Izzy não se importava porque adorava a família, em especial, o irmão mais novo, Matt, que era incapacitado e estava numa cadeira de rodas. O pai, Rory Campbell, era um escocês ruivo jovial e otimista, obcecado com tornar-se milionário rapidamente e dado a pedir dinheiro emprestado cada vez que as coisas não corriam bem, algo que acontecia com bastante frequência. A mãe, Lucia, era italiana e provinha de uma família muito rica que a repudiara depois de se apaixonar por Rory, ficar grávida e fugir com ele, renunciando assim a um casamento mais vantajoso e socialmente mais aceitável com outro italiano rico.

Na verdade, Izzy não recordava nenhum momento em que o dinheiro e as dívidas não tivessem sido uma questão recorrente na sua família. Se não fosse pela insistência dos pais de que Maya e ela completassem a educação, ambas teriam começado a trabalhar assim que tinham acabado o liceu. Contudo, graças a essa insistência, as gémeas tinham-se esforçado para se formar para se certificarem de que conseguiam bons trabalhos. Afinal de contas, o principal motivo por que os pais tinham problemas económicos era que nenhum dos dois recebera a educação necessária para ter empregos estáveis.

E embora não houvesse nenhuma dúvida de que aquele plano ambicioso para as gémeas fora perfeito para Maya, Izzy tivera de se esforçar muito mais para alcançar os seus objetivos. Maya conseguira entrar na universidade de Oxford enquanto Izzy acabara os seus estudos numa escola de formação profissional da mesma cidade, o que permitira às irmãs partilhar alojamento. Não era tão inteligente como a irmã e custava-lhe estudar. Além disso, os exames faziam-na sentir pânico e não era capaz de dar o melhor de si nesse estado. Naquela manhã, tivera o primeiro dos seus exames finais e fora por isso que se atrasara a chegar às águas-furtadas. Como consequência, tinha o coração apertado. Se perdesse aquele emprego, tudo se complicaria.

Ao entrar no edifício elegante, o vigilante surpreendeu-se ao vê-la.

– O que estás a fazer aqui a esta hora? Está quase na hora de almoço.

– Tive um exame esta manhã e atrasei-me.

– Acabei de começar o meu turno – replicou o vigilante, sorrindo, não só porque era uma rapariga bonita, mas porque era uma das poucas pessoas que não o superava em altura. – Vou ver se os hóspedes já chegaram. Não devia dar a chave depois das onze para fazer a limpeza.

– Por favor, dá-me a chave – rogou Izzy, desesperada. – Se os clientes chegarem e o apartamento não estiver limpo, terei problemas sérios.

– Só desta vez – concedeu e deixou a chave em cima do balcão. – Queres beber um copo esta noite? – acrescentou, segurando-lhe a mão.

– Lamento muito, estou a sair com alguém – mentiu.

Não queria rejeitá-lo abertamente depois de lhe ter feito um favor ao dar-lhe a chave.

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