Editado por HarperCollins Ibérica, S.A.
Núñez de Balboa, 56
28001 Madrid
A casa das noivas
Título original: The House of Brides
© 2019, Jane Cockram
© 2021, para esta edição HarperCollins Ibérica, S.A.
Publicado originalmente pela HarperCollins Publishers LLC, New York, U.S.A.
Tradutor: Mariana Mata
Reservados todos os direitos, inclusive os de reprodução total ou parcial em qualquer formato ou suporte.
Esta edição foi publicada com a autorização da HarperCollins Publishers LLC, New York, U.S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos comerciais, acontecimentos ou situações são pura coincidência.
Desenho da capa: Caroline Johnson
Imagens de capa: © Des Panteva/Arcangel (cadeira); © Andrzej Kwolek/Arcangel (sala)
1ª edição: Fevereiro 2020
ISBN: 978-84-9139-502-7
Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.
Sumário
Para a Alice e o Edward
A família…
aquele querido polvo a cujos tentáculos nunca conseguimos bem escapar, o que, de facto, nem sequer desejamos, no fundo do coração.
— DODIE SMITH
ONTEM ENCONTREI um artigo sobre a Casa Barnsley numa velha revista. Levei algum tempo a reconhecê-la. Não só não estava preparada para tropeçar nela, como também só a tinha conhecido no inverno. Foi um choque ver o local fotografado em todo o seu fulgor, ao sol, e antes de sequer pensar no que estava a fazer, já tinha arrancado as páginas para saborear mais tarde, longe dos olhares indiscretos dos outros.
Numa fotografia, a curva azul do porto está cheia de barcos à vela e traineiras de pesca. É provável que tivessem tirado as fotografias há anos, quando o hotel abriu. Talvez na primavera, quando o tempo começava a aquecer e os campos em redor ainda não estavam queimados pelo calor do verão. O Max diz que, nessa altura do ano, o céu estava cheio de drones a tirarem fotografias das casas de campo prestes a entrar no mercado imobiliário e a capturarem imagens da famosa faixa costeira para programas de lifestyle na televisão.
Vejo essa paisagem de cada vez que fecho os olhos, mas é melhor tê-la diante de mim: a erva a inclinar-se de forma a que as falésias e a vila abaixo dela fiquem escondidas, a linha do mar a ocultar bancos de areia por debaixo de ondas traiçoeiras. A partir de Barnsley, não se consegue ver o porto calcetado ou o pontão a partir do qual o pequeno ferry parte a cada hora, se a maré o permitir, para fazer a excursão à linha costeira. Não se conseguem ver as lojas de peixe frito e batatas fritas e as galerias com os seus vidros martelados ou os cafés e esplanadas recônditos dos bed and breakfast. E ainda assim, estavam todos nas fotografias, como se fossem parte integrante do hotel.
É fácil de recordar a sensação de ver Barnsley pela primeira vez. Não em fotografia, mas ao vivo, com a grande casa a aparecer à minha frente. A beleza da pedra calcária é difícil de ver numa fotografia e ainda mais de explicar. A pedra é diferente da de outras casas da zona, mais macia, de certo modo, e no verão, ficava quente ao toque durante semanas a fio, contou o Max. Nalguns dias, quando o sol não estava suficientemente forte para aquecer os frios ossos das antípodas da Daphne, ela encostava-se à parede e esperava que o calor lhe trespassasse o vestido de verão e o casaco. Isso foi antes de eu ter chegado. Tem estado apenas frio, um frio gélido, desde que a conheço.
Será que o hotel vai voltar a ter sucesso? Ou será o artigo inútil, a direcionar turistas americanos ricos para uma casa de fantasmas? Um hotel que perdeu o rumo, e a mulher que o geria, e não por essa ordem. Tenho de ter esperança de que consigamos dar a volta a Barnsley, pois entrou-me de algum modo no sangue, tal como entrou no sangue das mulheres que me precederam.
— UM BRINDE À Miranda — disse o meu pai enquanto erguia o copo no ar, fazendo-o chocar de seguida com força contra o copo igualmente erguido da minha madrasta. — Que a tua carreira na Grant and Farmer seja longa e próspera!
Não era a primeira vez que ele brindava a uma nova direção na minha carreira — só deus sabe que houve algumas voltas e reviravoltas antes de me ter dado mal desta última vez —, mas foi a primeira em que ele se envolveu na missão de tentar arranjar-me um emprego. Depois de tudo o que aconteceu, eu não tinha outra hipótese senão aceitá-lo.
O meu pai teve de cobrar alguns favores. E quando isso não funcionou, acho que teve de começar a fazer promessas. Cedências. Acho que não chegou ao ponto de haver mesmo troca de dinheiro, mas não tenho a certeza. Não me pareceu estar a imaginar coisas quando lhe detetei uma ligeira ameaça na voz. Mais do que um ligeiro ênfase na palavra longa.
— Sim, querida Miranda. Boa sorte na Grace and Favour! — disse a minha madrasta Fleur, juntando-se ao brinde, mesmo já tendo terminado de beber o seu segundo copo de champanhe.
Ri-me, apesar de tudo. A Fleur só era verdadeiramente engraçada durante uma pequena parte do dia, algures entre a sua segunda e quarta bebida. E aquela janela era muito mais curta do que se poderia esperar, dada a sua habilidade em consumir champanhe e vinho branco seco.
Para além disso, eu queria apreciar esta celebração enquanto durasse; era a primeira vez que tínhamos alguma coisa para celebrar em muito tempo. A julgar pelo ar das minhas duas meias-irmãs mais novas, sentadas em silêncio e a abanar os cubos de gelo da limonada enquanto a alegria continuava em seu redor, também elas sabiam bem que as coisas rapidamente se podiam alterar. É só aguardar, diziam os seus rostos, ela também vai estragar isto.
— O que é que alguém com uma licenciatura em escrita criativa vai fazer numa empresa de relações públicas? — perguntou a minha madrinha Denise, virando-se para mim depois de o brinde ter acalmado. Como era hábito, a minha família tinha escolhido esquecer a minha pós-graduação em nutrição e dietética. À nossa volta, os empregados pousavam os tabuleiros das entradas: reluzentes pimentões vermelhos grelhados, rolos grossos de presunto, e carnudas azeitonas sicilianas. O meu restaurante italiano preferido era sempre o local para todas as celebrações familiares, e no que concerne a celebrações de família, eu ter finalmente conseguido arranjar outro emprego era bastante significativo. Pelo menos era o que parecia que o meu pai estava a tentar dizer-me ao convidar a família inteira, incluindo os meus padrinhos, para se juntarem ao jantar de celebração.
— O que é que alguém com uma licenciatura em escrita criativa vai fazer seja onde for? — disse bem alto o meu pai na ponta da mesa, rindo-se ruidosamente da própria piada, olhando em redor para se assegurar de que os clientes à volta também se estavam a rir. Lá se foi a minha tentativa de passar desapercebida.
— Não é tudo escrita criativa nas relações públicas? — interveio a Fleur. — Ou sou eu que estou a ficar confusa com as notícias falsas?
Eu estava preocupada que toda a conversa sobre escrita criativa pudesse descambar numa discussão sobre a escrita criativa que me lançou em sarilhos, por isso concentrei-me na Denise ao responder. — Acho que no começo vou ser só mais uma espécie de assistente executiva. Não terei nada a ver com clientes. Talvez acabe por poder trabalhar nalgum copy, coisas assim, imagino.
Não soei mais entusiástica do que me sentia. Trabalhar como copy estava tão longe daquilo que tinha andado a fazer. A gerir o meu próprio negócio. Um blogue famoso. Um contrato literário. A comunicação social dizia que eu era influenciadora.
— O que é uma assistente executiva? — perguntou uma das minhas meias-irmãs. Daquela vez, a Ophelia, mas podia facilmente ter sido a Juliet, dado que o conhecimento geral de ambas era igualmente não-existente. E sim, todas temos nomes saídos de Shakespeare. A minha mãe começou a tradição e a minha madrasta continuou-a. O meu nome tinha algum significado para a minha mãe, ao passo que suspeitava que a minha madrasta teve de usar o Google. Cérebro matemático, diz ela. Cérebro de ervilha, acho eu.
— Reservam voos, preparam as salas de reuniões, esse tipo de coisas — arrulhou a minha madrasta, acariciando suavemente o cabelo da Ophelia devido à natureza potencialmente perturbadora desta informação. — E é por isso que não quero que tirem uma licenciatura em artes. — A Ophelia e a Juliet acenaram solenemente, mesmo que estivessem a vários anos de distância de tomar quaisquer decisões sobre as suas formações universitárias.
Concentrei-me em encher o prato com uma seleção de entradas, prestando mais atenção do que era realmente necessária à colocação da comida, de forma a conseguir engolir as lágrimas que ameaçavam verter para cima dos pratos de barro.
На этой странице вы можете прочитать онлайн книгу «A casa das noivas», автора Jane Cockram. Данная книга относится к жанрам: «Зарубежные детективы», «Триллеры».. Книга «A casa das noivas» была издана в 2021 году. Приятного чтения!
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