Editado por Harlequin Ibérica.
Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
Núñez de Balboa, 56
28001 Madrid
© 2021 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
N.º 62 - março 2021
© 2009 Heidi Rice
Esperanças ocultas
Título original: Public Affair, Secretly Expecting
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
© 2012 Dolce Vita Trust
Amores e mentiras
Título original: The Wayward Son
Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
Estes títulos foram publicados originalmente em português em 2013
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial. Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
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I.S.B.N.: 978-84-1375-286-0
Créditos
Amores e mentiras
Volta

No alvoroçado aeroporto de Heathrow, Juno Delamare tentava controlar os nervos enquanto procurava no mostrador o voo 155 vindo de Los Angeles. Mas ao verificar que já tinha aterrado, o seu coração disparou.
«Por favor, miúda, acalma-te»
Juno enfiou as mãos nos bolsos das suas novas calças de ganga, que já tinham aberturas no joelho, e respirou fundo. Tinha de acalmar-se, pensou. Precisava de levar a cabo uma missão muito importante e estava sem tempo para um ataque cardíaco.
Quando Mac Brody, a estrela de Hollywood, aparecesse no átrio das chegadas, devia estar pronta e em plena posse das suas faculdades mentais para lhe entregar o convite para o casamento de Daisy Dean, a sua melhor amiga, e assegurar-se de que ele iria.
Daisy ia casar-se com o milionário construtor Connor Brody dentro de duas semanas e ela decidira juntar os dois irmãos, que não se viam há anos. Logo, a sua missão era garantir que Mac Brody fosse ao casamento, quisesse ou não.
Como ia fazê-lo não sabia, mas estava disposta a tentar. Daisy tinha-a ajudado a pôr a sua vida em ordem, seis anos antes, quando pensou que já nada nem ninguém lhe importava. E estava em dívida para com ela.
Infelizmente, não tinha pensado na logística e naquele momento, prestes a vê-lo aparecer pela porta de chegadas no imponente terminal de Heathrow, a logística começava a perturbá-la.
E se fracassasse? E se Mac Brody viajasse com um exército de guarda-costas e não conseguisse aproximar-se dele? E se recusasse aceitar o convite? E o golpe de misericórdia: quando fora a última vez que se aproximara de um estranho para tentar convencê-lo do que quer que fosse? A sua capacidade de persuasão não era propriamente lendária com os homens.
Não tinha jeito para seduzir, não era bonita o suficiente nem tinha roupa para isso. O que significava que teria que apelar à natureza generosa de Mac Brody, supondo que a tivesse.
Não o conhecia e nunca tinha visto um filme com ele, mas ela estava na casa de Daisy duas semanas antes, quando chegou a carta... e isso dissera-lhe tudo o que precisava de saber sobre a personalidade de Mac Brody, superestrela de Hollywood e rapaz rebelde irlandês.
Era muito bonito, sim... para quem gostava de homens altos, morenos e de aspeto perigoso. Mas sob toda aquela virilidade havia um tipo arrogante, superficial e egocêntrico.
Juno irritou-se ao recordar o tom grosseiro da carta.
Daisy estava tão emocionada, tão certa de que seriam boas notícias, mas dentro do envelope estava o convite para o casamento que lhe tinham enviado, com um recado do seu agente dizendo que o senhor Cormac Brody não iria ao casamento do irmão e pedindo-lhes, além disso, que não voltassem a entrar em contacto com ele.
O recado fizera Daisy chorar e a sua amiga nunca chorava. Connor passara-lhe um braço pelos ombros, dizendo que não ficasse triste, que Mac tinha o direito de tomar as suas próprias decisões e não podiam pressioná-lo. Mas Juno percebera a dor que ele tentava dissimular.
Que direito tinha Cormac Brody de magoar o irmão? E nem sequer tivera a coragem de escrever ele próprio a mensagem!
Juno abriu caminho por entre as pessoas e apoiou os braços na barreira. Ignorando o louco bater do seu coração, analisou os passageiros que iam saindo. Tinha que dissimular a sua hostilidade contra Brody se quisesse convencê-lo a ir ao casamento, mas acontecesse o que acontecesse, não ia dar-lhe a satisfação de mostrar-se nervosa só porque ele era uma estrela de Hollywood. E também não ia suplicar-lhe.
Observou então um tipo muito alto. Ao contrário dos restantes viajantes, a roupa daquele homem era informal até ao ponto de ser foleira: umas velhas calças de ganga de cintura descaída, uma velhíssima e descolorida t-shirt dos Dodgers que deixava a nu os seus bíceps e um boné que praticamente ocultava todo o rosto.
Juno conseguiu também ver a sombra da barba e o escuro cabelo ondulado que lhe chegava quase até aos ombros...
Seria Brody? Se era ele, não era o que esperava de todo. Com a cabeça baixa, aquele homem parecia querer passar despercebido.
E estava a resultar, porque ninguém se tinha dado conta de quem era.
Juno abriu caminho entre as pessoas, com o coração a bater descompassado.
Com o olhar no chão, Mac Brody tentava esquecer o ruído do terminal enquanto girava os ombros para controlar a tensão e a fadiga da viagem.
Nunca gostara de aeroportos e Heathrow trazia-lhe más recordações. Da última vez que tinha estado ali, três anos antes, os paparazzi tinham-lhe armado uma emboscada. Isso a menos de uma semana após o fim da sua relação com a top model Regina St. Clair e dois dias depois de Gina vender a história à imprensa, contando que era viciado em cocaína e que dormia com uma mulher diferente cada noite.
As fantasias de Gina podiam ter graça, não fosse muita gente ter acreditado. Desde então, era perseguido por essa reputação de «mau rapaz», algo que o punha fora de si, pois não era verdade.
Gina vingara-se dele contando essas mentiras porque se sentia traída e Mac aprendera a lição. A partir de então, cada vez que saía com uma rapariga deixava bem claro desde o princípio que não queria uma relação séria.
Mac observou o mostrador das chegadas e ao ver que não havia fotógrafos soltou um suspiro de alívio. Podia suportar os paparazzi quando não havia outro remédio, mas depois de um voo de onze horas estava exausto. Felizmente para ele, tinha aprendido a misturar-se com as pessoas sem chamar a atenção e não costumavam reconhecê-lo a não ser que ele quisesse ser reconhecido.
Mas quando se dirigia para a porta do terminal, uma rapariga saiu de trás de uma coluna e interpôs-se no seu caminho.
– Você é Cormac Brody? – perguntou-lhe.
– Baixe a voz – disse ele, olhando em volta.
– Lamento incomodá-lo, mas tenho que falar consigo. É muito importante.
– Muito importante, hein?
Tinha ouvido aquilo muitas vezes, mas quando estava prestes a dizer-lhe que não tinha tempo, olhou-a nos olhos e, por algum motivo, não recusou.
Fosse quem fosse aquela rapariga, era uma beleza.
As calças de ganga e a camisa deveriam dar-lhe um ar de rapazote, mas ficavam-lhe muito bem, acentuando uma cintura estreita e uns seios pequenos mas empinados.
E depois, havia o impacto daquela carinha oval e daqueles olhos...
Nem verdes nem azuis, mas algures entre as duas cores, transparentes e enormes. Foram os seus olhos que mais lhe chamaram a atenção. E se acrescentasse o cabelo loiro escuro, a pele limpa e a estrutura óssea perfeita, tinha de admitir que o efeito era fabuloso.
Mas perguntou-se se seria uma fã. Esperava que não.
– O que é assim tão importante? Não tenho muito tempo, querida.
Ela fulminou-o com aqueles olhos que não eram verdes nem azuis e Mac teve que dissimular um sorriso.
– Não seja condescendente, senhor Brody.
– Agradecia-lhe muito que não dissesse o meu nome em voz alta. Não quero que ninguém repare em mim.
Bonita ou não, aquela rapariga começava a ser uma chata.
Mac olhou em volta para verificar que ninguém reparava neles e deparou-se com a pessoa que menos queria ver. Pete Danners, o seu maior inimigo, o paparazzo que o tinha perseguido como um rottweiler três anos antes.
– Maldição! – Mac atirou para o chão a mala de viagem para se ocultar atrás de uma coluna.
– Pode-se saber que...?
– Não se mexa – interrompeu-a ele. – Se esse homem me vê, esta viagem será uma catástrofe.
Juno ficou tão surpreendida que quase se esqueceu de respirar.
Que se estava a passar?
Um segundo antes, estava a olhar para os olhos azuis de Cormac Brody e a pensar que era muito mais bonito em pessoa do que nas fotos e, de repente, ele empurrava-a contra uma coluna. Estavam tão apertados um contra o outro que conseguia sentir a fivela do seu cinto a furar-lhe o estômago.
– O que está a fazer’
Não estava assim tão perto de um homem há uns seis anos e deveria começar a gritar. Mas, além da surpresa, sentia um calor pouco familiar, um formigueiro estranho.
– Foi-se embora, graças a Deus – disse, então. – Devo-lhe uma, minha linda.
– Não consigo respirar...
Mac tirou o boné e cravou nela os seus olhões azuis.
– Que se passa? – perguntou-lhe Juno, mas não conseguia dizê-lo em voz alta.
– Acalme-se, querida – disse ele, pondo-lhe uma mão no pescoço. Juno tentou dizer algo, o que fosse, mas só lhe saiu um gemido. – Que tal tentarmos isto?
Então, de repente, inclinou a cabeça para beijá-la. E assim que aqueles lábios roçaram os seus, a pulsação de Juno enlouqueceu.
Devia empurrá-lo mas, sem dar por isso, abriu os lábios e ele aproveitou para deslizar a língua para dentro da sua boca. E essa invasão despoletou um rio de lava entre as suas pernas, um formigueiro que nunca tinha sentido.
As suas línguas travavam um duelo, enquanto ele metia uma mão sob a t-shirt para acariciar-lhe as costelas... mas quando se apertou mais contra ela e sentiu o duro membro masculino a roçar o seu ventre, Juno afastou-se, assustada.
– Ena, isto foi uma surpresa – murmurou ele, com um sorriso nos lábios. – Mas será melhor pararmos antes que percamos o controlo.
Juno olhou para ele, espantada.
Que tinha feito? Depois de seis anos de celibato, beijara um completo estranho no aeroporto de Heathrow. Um estranho de que nem sequer gostava.
– Poderia afastar a mão? – urgiu, envergonhada, ao reparar que continuava a acariciá-la.
– Que tal procurarmos um sítio para continuarmos isto em privado?
Juno endireitou a camisa com as mãos a tremer, sentindo as faces a arder. Pensaria que era uma prostituta ou coisa parecida?
– Passa-se alguma coisa? – perguntou-lhe ele, olhando-a com surpresa.
«Claro que se passa algo, uma ninfomaníaca acaba de apoderar-se do meu corpo»
– Não se passa nada.
– De certeza? Está a agir de um modo algo estranho.
«Nem imaginas».
– Tenho que ir-me embora.
E era verdade. Tinha que afastar-se daqueles olhos azuis e daquele rosto tão atraente antes que se transformasse numa ninfomaníaca.
Mas ele segurou-lhe o pulso.
– Espere aí um instantinho.
– Não, a sério, tenho que ir-me.
– Não se beija um homem assim para depois deixá-lo plantado. Além disso, não tinha algo importantíssimo para me dizer?
O convite de casamento.
Como podia ter-se esquecido do casamento de Daisy?
– Largue-me a mão – disse-lhe. Tenho algo para si.
– Sim, isso já eu sei – brincou ele.
Juno sentiu as faces arderem ainda mais. Maldito fosse. Por que a afetava daquele modo?
– É um convite para o casamento do seu irmão – insistiu Juno. Celebrar-se-á em Nice e ...
O sorriso de Mac Brody desapareceu.
– De que está a falar?
– É da parte da minha amiga Daisy, a noiva do seu irmão – insistiu Juno, dando-lhe o envelope.
Pareceu-lhe ver um brilho estranho nos olhos, mas desapareceu em seguida, portanto não podia ter a certeza.
– Eu não tenho nenhum irmão – disse ele, amarrotando o envelope.
– Claro que tem – replicou Juno, perguntando-se que raio teria acontecido entre ele e Connor.
Tinha prometido a si mesma que não suplicaria mas depois do que se tinha passado, suplicar-lhe já não lhe parecia assim tão horrível.
– Por favor, tem que ir ao casamento. É muito importante.
– Para mim, não é, por isso pode dizer à sua amiga que não estou interessado.
– Como pode ser tão indiferente?
– E que tem a ver com isso?
– Já lhe disse que Daisy é minha amiga, a minha melhor amiga.
– Ah, claro. E o beijo foi ideia sua ou da sua amiga?
– Você sabe perfeitamente que o beijo foi coisa sua!
– Ah, sim?
– Sabe uma coisa, senhor Brody? O facto de ser rico e famoso não lhe dá o direito de tratar a sua família como se fosse lixo. Daisy e Connor são duas pessoas maravilhosas e merecem alguém melhor do que o senhor. Francamente, não sei por que querem que vá ao casamento.
De repente, Mac Brody soltou uma gargalhada.
– E se pareço assim tão horrível, por que me beijou?
Se não parassem de falar do maldito beijo, dava-lhe uma bofetada.
– Nessa altura, não o conhecia. Agora sim, já o conheço.
– Ah, mas ainda não viu o melhor.
Juno voltou a corar, mas ergueu os ombros, recusando-se a reconhecer aquele estranho formigueiro no ventre.
– Acho que sobrevaloriza os seus encantos, senhor Brody.
Ele riu-se novamente.
– Mas nunca terá a certeza, pois não?
Juno não dignificou a pergunta com uma resposta. Que ser tão arrogante, imbecil, convencido...
Ia largando fumo enquanto saía do terminal, com o coração a bater ao ritmo dos seus passos. Não estava enganada sobre Mac Brody, aquele homem não merecia uma família tão maravilhosa como a de Daisy, Connor e o seu belo filho, Ronan. Felizmente, não iria ao casamento. Que alívio não ter que voltar a ver aquele tipo insuportável em toda a sua vida.
Mac parou de sorrir enquanto via a rapariga sair do aeroporto... ou melhor, enquanto admirava a curva do seu traseiro.
Não deveria gozado com ela, mas parecera-lhe irresistível. Como o fora o desejo de beijá-la. Embora não soubesse muito bem porquê.
Ao ver uma faísca de desejo nos seus olhos, o instinto apoderara-se dele. E quando começou a beijá-la, a sua inocente reação parecera-lhe embriagante.
Mas a espontaneidade era uma coisa, a temeridade outra muito diferente.
Mac olhou em volta. Felizmente, não parecia haver nenhum paparazzi em lado algum. Se Danners o tivesse visto a beijar aquela rapariga, poderia ter-lhe tirado uma dezena de fotos e ele não teria dado por nada.
Suspirando, agarrou a mala do chão e dirigiu-se para a porta. Só então se deu conta de que continuava a ter o convite para o casamento na mão e aproximou-se de um caixote do lixo. Como tinha dito à rapariga, já não tinha irmão, não precisava da sua família e não pretendia ir a nenhum casamento. A última coisa de que precisava era reviver coisas que andava há muito tempo a tentar esquecer.
Mas quando ia deitar fora o convite, levou o envelope ao nariz e respirou o aroma da rapariga no papel... e sentiu algo, uma emoção que há muito não sentia.
Desejava-a. Depois daquele beijo, era evidente. Não era tão sofisticada ou tão complacente como as raparigas com que costumava sair em Hollywood, mas tinha-o cativado. E ele não era pessoa de cativar-se facilmente.
Mac observou o envelope. Talvez ela o atraísse tanto precisamente por ser diferente. A sua roupa de maria-rapaz; a pele suave; a reação irritada, representavam a única coisa que não tinha há muito tempo: um desafio.
E nem sequer sabia o seu nome.
Murmurando um palavrão, Mac guardou o envelope no bolso das calças.
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